Quem será o candidato da direita?

A resposta a esta pergunta será construída nos próximos meses. Pode ser que em julho do ano que vem este embate tenha um vencedor. Mas daqui até quase lá, a guerra direita x esquerda não deve dominar o campo de batalha. As peças da direita no tabuleiro não terão como foco principal destronar, desbancar e acabar com o ex-presidente Lula.

A guerra será travada dentro do campo da direita. A mira de suas armas estará apontada na direção de seus parceiros na luta contra a esquerda. A despeito disso, há aqueles que se desdobram, se contorcem e dão cambalhotas para vender a ideia de que o governador Geraldo Alckmin já é o nome da direita para enfrentar a esquerda.

Eles desdenham do deputado Jair Bolsonaro. Desconsideram a cada vez mais gritante candidatura do presidente Michel Temer. Desejam, rezam e vaticinam que o ex-presidente Lula será impedido pela Justiça de concorrer. O destino lhes parece traçado: o PSDB vai voltar a ocupar o papel principal no palco da política nacional.

Há quem profetize que Alckmin está sozinho naquela meleca que chamam de “centro”. Parece que esta parcela do eleitorado não será disputada também pelo presidente Temer, pela surrealista Marina Silva, pelo latido de Ciro Gomes, por um tal de José Amoêdo e, eventualmente, pelo ‘socialite’ Luciano Huck. Todos querem para si o rótulo da antipolítica, do novo, do limpo, do diferente de tudo que está aí, que por hora está colado no peito do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

Menosprezado até outro dia, Bolsonaro é alvo de uma campanha orquestrada de desconstrução. Os protagonistas principais desta peça são ligados aos tucanos. Eles querem limpar o palco para que ele seja dominado por Alckmin. Os tucanos também foram para cima do presidente Temer. Depois de aprovada a reforma trabalhista, os aliados decidiram impedir que seja aprovada a da Previdência.

O objetivo é impedir que Temer vista a camiseta de “O Presidente das Reformas”. Para os tucanos este figurino só serve para um dos seus. Por isso, querem derrotar Temer, manter em suas mãos o rótulo da reforma e esperar que o PMDB vá lhes pedir penico. Afinal, não restaria outra alternativa a um governo frágil e que não consegue votos para aprovar uma reforminha. Mas o PMDB pode bater pé, sobreviver, com a reforma aprovada ou não. Afinal, tem um governo nas mãos, obras para entregar etc

O vencedor desta refrega irá para cima de Bolsonaro. Vai entrar em campo para desbancá-lo. Certo de que os eleitores que ficarem órfãos não terão outra alternativa, para enfrentar a esquerda, a não ser ficar com quem destronou seu herói. Este tipo de batalha não chega a ser uma novidade. Nas eleições de 2014, Dilma teve que detonar Marina Silva, para só então colocar na sua linha de tiro o candidato Aécio Neves.

A eleição do ano que vem foge inteiramente aos padrões dos pleitos que assistimos desde o final da ditadura militar. A sociedade está radicalizada.p Esse fenômeno não existe apenas no Brasil. Nas recentes eleições na América e na Europa essa polarização produziu mudanças nas campanhas eleitorais. O eleitor quer renovar e limpar a política. E tem procurado um símbolo capaz de levar adiante seu desejo.

Neste contexto, é que a luta política se desenrola. Por isso, faça chuva, faça sol, cresce a cada dia a parcela dos eleitores seduzíveis pela extrema-direita. Entre 15% e 25% dos eleitores, estão magnetizados pelo discurso “prendo e arrebento” de Bolsonaro. Para mudar este quadro, os demais candidatos da direita, ou do “centro”, como preferem se autoproclamar, serão obrigados a radicalizar seu discurso.

Enquanto isso, Lula sobrevive à Lava Jato. Seus eleitores mais fiéis, de 25% a 35% do eleitorado, continuam com ele, digam o que disserem. Estes querem e acreditam que Lula trará de volta aquela prosperidade de quando esteve no governo. E, do outro lado da rua, a direita ficará esfregando as mãos para que Lula seja posto para correr pela Justiça.

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