Vespertinas: voo de galinha pode reanimar o governo Temer

Bruno Araújo em sua última cerimônia como ministro. No Planalto com o presidente Temer.

Voo de galinha I. Talvez tenha sido precipitada a encomenda da lápide do governo Michel Temer – em breve MDB. Inflação (muito) baixa, emprego em (lenta) ascensão, renda preservada e juros declinantes constituem um virtuoso caldo de recuperação econômica. Nesta segunda, 13, a Folha de S. Paulo antecipou novo indicador positivo: a “trajetória de recuperação das receitas” federais “parece ter se firmado”.

Voo de galinha II. Na barafunda eleitoral que se avizinha, onde todos os candidatos serão pardos, aquele que portar a bandeira da volta do crescimento sairá com alguma vantagem na corrida sucessória de 2018. O patrocínio da eventual retomada terá vindo pelas mãos do presidente e seu principal fiador junto ao mercado, o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda.

Voo de galinha III. Certo, o voo da recuperação pode ser o de galinha. Pelo menos é o que preveem economistas de matizes diversos. Sem mudanças estruturais, que detenham o crescimento do custeio da União, equilibrando o erário e abrindo caminho para o investimento, o Brasil andará aos sobressaltos.

Voo de galinha IV. O rearranjo do ministério, que começou com o pedido de demissão nesta segunda, 13, do ministro tucano Bruno Araújo, das Cidades, pode impulsionar votações como a da Previdência, uma das reformas estruturais.

Voo de galinha V. Mas, até a próxima crise, aquele que açambarcar o mérito de tirar o Brasil da maior depressão econômica da história poderá colher frutos eleitorais. Com a baixa expectativa cidadã em relação aos partidos, emprego e renda serão um maná em meio a secura financeira dos últimos três anos. Restará saber quem será o porta-bandeira.

Alvo preferencial. A TV Globo conseguiu unir PT e MBL. A emissora, desde sempre alvo predileto do PT, passou a receber petardos da gurizada do MBL. Eis um improvável alinhamento.

Como 1989. Talvez o que nos aproxime das eleições de 1989 seja o cenário, até onde se vislumbra, multipolarizado do pleito de 2018. O declínio e a desordem de PT e PSDB, desde 1995 contendores preferenciais, contribui para este quadro.

Mário Covas, um dos 22 candidatos na eleição de 1989. Foto Orlando Brito