Darwin e Bolsonaro

A inelegibilidade do ex-presidente pode ser parte de um processo de seleção natural

Jair Bolsonaro - Foto Reprodução

Alguns adeptos de Bolsonaro não gostam da teoria de Charles Darwin sobre a evolução das espécies. Para o cientista britânico todas as espécies, inclusive a humana, descendem de ancestrais comuns e, com o passar do tempo, sobrevivem os mais aptos, os que têm melhores condições de adaptação. Essa teoria vai de encontro ao criacionismo, que defende que tudo o que existe foi criação de um ser sobrenatural, inclusive os homens, criados à imagem e semelhança de Deus. Aceitar que viemos do mesmo ancestral que os macacos é inadmissível para muitos, especialmente para os que tendem ao fanatismo religioso.

Sessão plenária do TSE – Foto Antonio Augusto/secom/TSE

O processo de inelegibilidade do ex-presidente me fez lembrar a seleção natural de Darwin.
O capitão foi eleito não por causa do seu estilo, mas apesar dele. Naquele momento, a vida política estava de pernas para o ar e um outsider, alguém que parecia ser contra o sistema (embora vivesse dele há mais duas décadas), parecia cair como uma luva para uma significativa parcela da população.

Muitos anos atrás, se alguém contasse que aquele deputado do baixo clero, medíocre, sem papas na língua, deselegante, grosseiro às vezes, afeito a rachadinhas, viraria presidente da república, muitos morreriam de rir. Essa hipótese era quase impossível.

Mas havia o “quase” e Bolsonaro ganhou as eleições de 2018.

Darwin

Aí é que entra o Darwin. O cara estava na hora certa e no lugar certo e soube montar o cavalo que passou na sua frente. Faltou a ele, no entanto, se adaptar ao galope.
O tipo histriônico que agrada a alguns não combina com a liturgia do cargo. O papo de botequim não fica bem na boca do chefe do poder executivo. Não se pode fazer e dizer tudo o que lhe dá na telha. Qualquer pessoa minimamente adulta sabe disso, mesmo os pobres mortais como a grande maioria, que não ocupam nenhum cargo relevante, sabe que existem regras a seguir, quer se goste ou não.

Fosse Bolsonaro um pouco mais adaptável às novas situações talvez não tivesse sequer perdido a reeleição.

A inelegibilidade era previsível, não fosse esse processo haveria muitos outros dos quais ele não escaparia.

É a seleção natural tratando de expurgar esse tipo da política brasileira.

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