Doutor Leitão de Abreu, o aprendiz

Doutor Leitão de Abreu no escritório de sua casa. Foto Orlando Brito

O jurista João Leitão de Abreu em sua casa no Lago Sul, em Brasília. Foi chefe do Gabinete Civil dos presidentes Garrastazu Médici e João Figueiredo e também ministro do Supremo, além de presidir o Superior Tribunal Eleitoral.

Depois de exercer cargos os mais importantes da república em Brasília, doutor Leitão não voltou para sua terra natal, o Rio Grande do Sul. Continuou morando na capital federal. Durante anos o fotografei ministro e dando aulas de Direito. Mas agora, em 1986, aposentado, o via como aluno, aprendiz.

Como às vezes faço nas manhãs de domingo, vou à QL-12, a antiga Península dos Ministros, lugar onde moram vários nomes do poder. Assim que entrei a principal avenida, de longe, vi o doutor Leitão estacionando com alguma dificuldade o carro que dirigia. Aproximei-me. Ele, bem humorado, disse-me que agora aposentado tinha tempo de sobra para dedicar-se a duas coisas que havia praticamente esquecido durante os longos anos em que foi ministro: reaprender a guiar automóveis e a datilografar.

Após tirar as luvas de motorista e o boné de piloto, convidou-me para um café. No escritório, doutor Leitão de Abreu sentou-se à mesa escrivaninha e demonstrou a rapidez que readquirira teclando a antiga Remington Rand na qual escrevia semanalmente um artigo para a Folha.

Orlando Brito

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Orlando Brito
Um dos mais conhecidos e premiados fotógrafos do país, Orlando Brito nasceu em Minas e chegou a Brasília ainda menino, no início de sua construção, em 1956. Fez viagens por mais de 60 países, em coberturas presidenciais, papais e esportivas, como Copas do Mundo e Olimpíadas. Tem seis livros publicados e quatro outros no prelo. Recebeu vários prêmios, entre eles o Press Photo do Museu Van Gogh. de Amsterdã. Onze vezes Prêmio Abril de Fotografia. Bolsa da Fundação Vitae, de São Paulo, em 1991. Várias exposições individuais e obras no acervo de diversos museus do mundo.