Nada iguala mais as pessoas do que doenças. mortes, epidemias, tudo aquilo que nos faz lembrar da fragilidade de nossa condição humana. Ricos, pobres, mulheres, homens, velhos ou novos, todos podemos ser alcançados pelo coronavírus. Mas o limite da suposta igualdade acaba no vírus. Uma vez infectados, voltamos a encarar a iniquidade – que começa no atendimento a cada um.
Até agora, no Brasil, a pandemia parece estar dando preferência aos mais privilegiados, aqueles que viajaram ao exterior e retornaram infectados. E quando chegar aos pobres?
O SUS, nosso sistema de saúde universal, é uma das melhores invenções da Constituição de 1988, um sistema igualitário, exemplo para o mundo. Sucateado como está, porém, terá sérios problemas para fazer face à pandemia. Está certo o governo quando baixa medidas provisórias dando mais dinheiro para a saúde atender ao coronavírus. Mas chega tarde. Os recursos serão usados de forma emergencial, pois não há tempo para consertar estruturas que já tinham muitas falhas e terminaram de ser desmanteladas pelas políticas liberais do governo Bolsonaro.

É interessante ver Paulo Guedes ir à TV falar nos mais pobres. Logo ele, que segundo muita gente no Congresso, nunca tinha visto um. É louvável qualquer iniciativa para proteger a economia e combater o vírus. Daí a acreditarmos que, feito isso, a pandemia se vai em alguns meses e tudo voltará a ser como antes, é muito difícil. Nada será como antes, e talvez também para Paulo Guedes e suas políticas. Se há alguma coisa que o coronavírus parece estar ensinando ao mundo é que o Estado é mais necessário do que muita gente pensava.
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