A Odebrecht sempre primou pelo profissionalismo. Pelo bem e pelo mal. Credenciou-se aqui e mundo afora como exemplo de excelência da engenharia brasileira. Fez sucesso também quando pilhada no escândalo da Petrobras.
Sua sofisticada estrutura para o pagamento de propina foi apresentada como o supra sumo do ramo. Se não fossem as delações premiadas, continuariam inexpugnáveis.
A avaliação geral, inclusive entre os investigadores, é de que era um esquema com precisão germânica, digna da origem da família Odebrecht. Prova também do estilo metódico e disciplinado do empresário Marcelo Odebrecht. Essa estrutura paralela só foi descoberta por uma conjunção astral fortuita.
Quando a casa caiu, especialistas foram olhar dentro o que lá havia. Aí apareceram surpresas. A fortaleza contra enxeridos externos não tinha os mesmos cuidados internos.
Como o mundo da propina é flutuante, os registros dos pagamentos seguem a mesma lógica. O efetivamente pago ser menos do que o combinado faz parte do jogo. Quase ninguém reclama.
Quando o acerto era com a gigante Odebrecht, reclamação zero. Era enfrentar a pontualidade de um relógio suíço.
Pois bem. Especialistas que avaliam de perto o que tem dentro do departamento de propina da Odebrecht tomaram um susto. Ouviram explicações de executivos da empresa, todos na fila da delação premiada, e cruzaram números.
O que colheram vale para denúncias contra quem recebeu propina. O problema é que descobriram mais. Como em uma simbiose com a turma comprada, quem operava estaria tirando uma parte para si.
Como diz o ditado, quem parte e reparte no mínimo fica com alguma parte.