Em menos de 24 horas, Renan Calheiros sofreu duas goleadas. Poderia ter evitado uma delas – a tentativa de uma votação a jato do mostrengo aprovado pela Câmara a partir da mutilação do pacote anticorrupção proposto pelo Ministério Público.
A outra parecia inevitável. Mas havia a expectativa de que algum ministro do STF pedisse vista e adiasse o julgamento de Renan da denúncia de ter pago a pensão da filha, que teve com a jornalista Mônica Veloso, com dinheiro de propina da empreiteira Mendes Júnior.
Pegaria muito mal. Há anos, esse processo se arrasta. Algumas acusações até já prescreveram. A impunidade de sempre está na mira e na ira da população. Ninguém pediu vista.
A turma de Renan se surpreendeu com o placar elástico. Por oito votos a três, o Supremo o tornou réu nesse processo no qual também é acusado de desvio de dinheiro público.
Poderia ter sido pior. Graças a um pedido de vista do ministro Dias Tofolly em outro julgamento, Renan escapou agora do vexame de ser afastado do comando do Congresso a dois meses do fim de seu mandato como presidente do Senado.
Renan responde a outras 11 investigações no STF, oito delas na Operação Lava Jato.
Pouco antes da decisão do STF, Renan Calheiros produziu mais uma joia na sessão do Senado que reuniu o juiz Sérgio Moro e o ministro Gilmar Mendes para um debate sobre o abuso de autoridade. Essa é uma prioridade de Renan na sua queda de braço com a polícia, os procuradores e os juízes. Mesmo assim, ele disse, com a cara mais limpa, do microfone da Mesa do Senado:
— A Lava Jato é sagrada. Ela precisa, sim, ser estimulada para que possa colaborar com a diminuição da impunidade no Brasil, que é uma grande chaga.
Imperdível.