FHC frita Alckmin no Caldeirão

Pra que Faustão se Luciano Huck pode contar com Fernando Henrique Cardoso? O ex-presidente que já associou os servidores públicos que se aposentam precocemente a “vagabundos” e que reagiu aos que o chamavam de neoliberal qualificando-os de “neobobos”, agora faz parte das assistentes de palco do Caldeirão. Junta-se a Dany Bananinha, Eloah Uzêda, Fernanda Goeth, Karen Kounrouzan, Lauren Hermsdorff, Luana Bandeira e Renata Molinaro.

À Radio Jovem Pan, um dos melhores canais para se falar besteira hoje em dia, FHC, 34º presidente do Brasil, ocupante do cargo entre 1995 e 2003, sugeriu que uma candidatura do apresentador global “seria boa para o Brasil”, para “arejar” e “botar em perigo a política tradicional”. Como Fernando Henrique, conhecido pela sovinice, não paga a conta de alguém sem um bom motivo, fica evidente que o que ele está fazendo é dando uma bela garfada em Geraldo Alckmin, o candidato oficial dos tucanos, para tentar servir carne fresca aos eleitores.

Huck já foi pré-candidato e esteve com um pé no altar do PPS, mas recuou, em novembro, transformando sua candidatura numa espécie de missão de vida de Roberto Freire. Tudo indica que o apresentador ainda vai negar algumas vezes que pretenda ser candidato até que, finalmente, entre oficialmente na corrida presidencial. Ou não. O fato é que, a essa altura, ninguém – nem o mundo político, nem o chamado mercado, nem os financiadores de campanhas, nem a opinião pública – tira o global do radar. A coluna Painel, da Folha de S.Paulo, ouviu um tucaninho cantar que FHC recebeu em mãos pesquisa qualitativa que trata exclusivamente sobre a viabilidade eleitoral de Luciano Huck. A notícia seria boa para os huckófilos.

FHC já vem flertando com Huck há algum tempo. A piscada mais recente, e nada disfarçada, ocorreu logo após a condenação de Lula em segunda instância pelo TRF4, no final de janeiro, quando disse ao Valor Econômico que o “jogo” eleitoral começaria naquele momento e garantindo que Huck não havia desistido da candidatura. Formalmente, Huck nega de pés juntos que ainda esteja sob influência da mosca azul. Em novembro, anunciou que não seria candidato. Mas como adiantamos nos Divergentes, era apenas um recuo tático. Até a cúpula de sua emissora teria dúvidas sobre o WO.

A desculpa para FHC, e outros tucanos que já estão desembarcando da nau alckmista, é que, pesquisa após pesquisa, cenário em cima de cenário, muito pouca gente, até agora, parece disposta a matar a sede com o picolé de chuchu, no interminável verão da política brasileira. E, do jeito que a coisa vai, o PSDB poderia ficar fora do segundo turno, mesmo com Lula fora do páreo, horizonte hoje mais provável. Como é tudo menos bobo, ou neobobo, Alckmin já entabulou conversas com Gilberto Kassab e seu PSD.

O melhor a fazer é seguir a sugestão de FHC. Não sobre Huck. Mas sobre o valor do que diz. “Esqueçam o que escrevemos no passado, porque o mundo mudou e a realidade hoje é outra”, disse certa vez, sentença que entrou para sua antologia de frases infelizes. Eleitores,façam um favor a Fernando Henrique Cardoso. Esqueçam o que ele diz.

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