O cavalo de pau de Aras enquanto banca Lindôra nas duas canoas

Sonhando em ser reconduzido ao cargo de PGR pela terceira vez, Aras mudou o entendimento e já defende investigar Bolsonaro, mas mantém o jogo duplo com a parceira Lindôra.

Lindôra Araújo e Augusto Aras - Fotos Gil Ferreira/Agência CNJ e Antonio Augusto/Secom/PGR

Desde que assumiu o cargo de Procurador-geral da República, em 2019, por indicação de Jair Bolsonaro, Augusto Aras e sua fiel escudeira, Lindôra Araújo, atuaram em plena sintonia com o Planalto. Barraram, ou pelo menos tentaram barrar, todas as investigações envolvendo o ex-presidente, seus familiares e aliados.

Jair Bolsonaro – Foto Orlando Brito

Durante a pandemia, por exemplo, a sub-procuradora-geral da República rejeitou dois pedidos para investigar Bolsonaro por infração de medida sanitária preventiva e crime de perigo para a vida. Em seu parecer, Lindôra afirmou que “em relação ao uso de máscara de proteção, inexistem trabalhos científicos com alto grau de confiabilidade em torno do nível de efetividade da medida de prevenção”. Causou espanto na época.

Hackers

No ano passado, nas investigações sobre o vazamento do inquérito do ataque hacker ao TSE durante uma live do ex-presidente, colocando sob suspeita a segurança das urnas, a dupla foi contrária a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do coronel Mauro Cid e outros assessores.

Alegaram que as provas eram ilícitas e que o ministro Alexandre de Moraes não ouviu o Ministério Público sobre os pedidos da PF, violando o sistema processual. Em uma das suas manifestações, Lindôra acusou a Polícia Federal da prática de “fishing expedition” ou pescaria probatória, que é quando investigadores vasculham a intimidade ou a vida de alguém sem objetivo específico.

Presidente do TSE, Alexandre de Moraes – Foto Nelson Jr./ASCOM/TSE

Recentemente, no caso da investigação sobre a possível fraude no cartão de vacinação de Bolsonaro e sua filha, a PGR se manifestou favoravelmente a realização de buscas e prisões. Em reportagem publicada neste segunda-feira, a Folha de São Paulo mostrou que desde janeiro, quando Lula assumiu, houve uma guinada no entendimento da PGR em relação ao ex-presidente. De acordo com a reportagem da Folha, a PGR afirmou que não houve “mudança de posicionamento” e que as manifestações são feitas de “forma técnico-jurídica, com base nas especificidades de cada momento procedimental”. É, pode até ser.

Michelle Bolsonaro – Foto Orlando Brito

Mesmo com essa guinada, Lindôra parece manter os pés nas duas canoas. Em meio à  tempestade que expõe as contas de Michelle, com novidades comprometedoras pipocando todo dia, a procuradora defendeu cortar o mal pela raiz. Simplesmente propôs ao STF descartar áudios e quebras de sigilo bancário na investigação que apura pagamentos em espécie de despesas da ex-primeira-dama  e pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes para arquivar o caso.

É a Lindôra de sempre. Mas é nesse contexto que Augusto Aras ainda sonha em ser reconduzido por Lula em setembro. A possibilidade de que isso aconteça pode ser muito remota, mas não é impossível.

Sonhar não custa nada.

Vale conferir.

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