Hoje é o “Dia do Fico” de D. Pedro I. Em agosto, “Dia do Saio”, de Jânio

Pedro I aclamado no Paço Imperial. Gravura de Jean-Baptiste Debret

O Brasil tem, obviamente, em sua história vários momentos que marcaram profundamente o destino do país. Dois deles, porém, merecem atenção porque têm sentido completamente opostos. O primeiro é o famoso “Dia do Fico”. O segundo, o “Dia do Saio”. Um por forças explícitas. Outro, por forças ocultas. Ambos protagonizados por homens que governaram a nação.

O primeiro se deu em 9 de janeiro de 1822, portanto há precisamente 196 anos. Dom Pedro I, nosso então Príncipe Regente, era pressionado a retornar a Portugal. O jovem monarca havia herdado a coroa do pai, Dom João VI, que votou a para o Palácio de Queluz após 13 anos fora de seu país devido à invasão das tropas de Napoleão.

Pedro era um menino de 9 anos quando desembarcou do navio Príncipe Real, a  Nau Capitânia, no Rio de Janeiro, em março de 1808. Com a desocupação francesa de Portugal, seu pai Dom João VI, sua mãe Dona Carlota Joaquina e seu irmão Miguel puderam voltar para casa. Ficou no Brasil, digamos em linguagem popular, tomando conta do trono.

Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim.

No começo de janeiro de 1922, as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa exigiram sua volta imediata a Lisboa. Queriam devolver ao Brasil a condição de colônia. Em reação, forças organizadas do Rio e outras regiões uniram-se e, de mãos de uma lista com oito mil assinaturas populares, pediram a Pedro I que aqui continuasse. E o monarca decidiu permanecer. Foi então que fez o discurso no qual proferiu a frase que marcou não somente sua sua vida, mas também o destino do Brasil:

– Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto. Digam ao povo que fico!   

O Grito do Ipiranga, a Independência do Brasil, por Pedro Américo

Oito meses após essa decisão, declarou a Independência do Brasil, com o também heroico Grito do Ipiranga.

Depois, em 1831, nosso Dom Pedro I abdicou da coroa em favor do filho, Pedro II. Regressou a Portugal e lá tornou-se Dom Pedro IV, ao destronar Dom Miguel, seu irmão que assumira o trono com a morte do pai João VI. Bem, mas isto é outra história.

A segunda data se refere não ao Império, mas à República. E aconteceu 139 anos depois do “Dia do Fico”. Falo do “Dia do Saio”, ou seja da renúncia do então presidente Jânio Quadros, eleito para suceder Juscelino Kubitschek. Nasceu em Mato Grosso, criou-se em Curitiba. Mudou-se para São Paulo, elegeu-se vereador, deputado, prefeito e governador do estado.Era professor e advogado. Brilhante orador, até mereceu a Medalha da Ordem do Cristo, de Portugal.

Jânio era tido como homem polêmico. Proibiu as mulheres de usarem biquíni nas praias, a transmissão de concursos de miss. Mas foi em seu breve governo que criou, por exemplo, as reservas ecológicas, o Parque Indígena do Xingu. Tinha fama de temperamento difícil, repentino, surpreendente. Ainda assim, foi com surpresa que o País recebeu sua renúncia, em 25 de agosto de 1961. Não se sabe até hoje as verdadeiras razões que o levaram a tão definitivo ato. Em sua carta de abdicação à Presidência, declarou:

Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam… Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo!

Jânio faleceu em 1992 e até hoje não se sabe ao certo o por quê de sua renúncia, o “Dia do Saio”. Sua saída teve grave consequências. Em seu lugar, assumiu o vice João Goulart. Jango governava o Brasil há dois anos e meio quando sofreu o Golpe de 1964. Os militares permaneceram no Palácio do Planalto durante 24 anos.

Depois, em várias oportunidades, Jânio ensaiou voltar ao Poder. Elegeu-se prefeito de São Paulo em 1985, quando derrotou Fernando Henrique Cardoso. Bem, mas isto também é outra história.