A máscara negra de Zé Kéti

José Flores de Jesus, aliás, “Zé Kéti”, um dos sambistas mais celebrados do Brasil, não teve um fim de vida confortável.

Em sua vasta obra musical estão preciosidades como “Acender as Velas”, “Máscara Negra”, “Diz Que Fui Por Aí”, “A Voz do Morro” e “Opinião”, samba que deu nome ao memorável show do Teatro Opinião em 1964.

Autor de sucessos inesquecíveis viu diminuir as chances de trabalhar nas noites cariocas. Em 1991, decidiu mudar-se para São Paulo. Morava de favor no quartinho de um minúsculo apartamento da Rua Augusta, cedido por uma amiga que batalhava até a madrugada.

Durante o dia, estendia na cama o paletó xadrez para desamarrotá-lo enquanto lustrava os sapatos. Por volta da meia noite saía para os botequins da Boca do Lixo, onde cantava para os boêmios as músicas que compôs, em troca da sobrevivência.

De volta ao Rio, Zé Kéti foi morar com uma filha e recebeu a homenagem de Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Monarco e da Velha Guarda da Portela. Morreu de falência múltipla dos órgãos, em 1999, aos 78 anos.

Orlando Brito

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Orlando Brito
Um dos mais conhecidos e premiados fotógrafos do país, Orlando Brito nasceu em Minas e chegou a Brasília ainda menino, no início de sua construção, em 1956. Fez viagens por mais de 60 países, em coberturas presidenciais, papais e esportivas, como Copas do Mundo e Olimpíadas. Tem seis livros publicados e quatro outros no prelo. Recebeu vários prêmios, entre eles o Press Photo do Museu Van Gogh. de Amsterdã. Onze vezes Prêmio Abril de Fotografia. Bolsa da Fundação Vitae, de São Paulo, em 1991. Várias exposições individuais e obras no acervo de diversos museus do mundo.