Eduardo Cardozo já falava sobre gravidade do sistema prisional em 2012

Eduardo Cardozo. Foto Igo Estrela/ObritoNews

Embora esteja com suas contas no vermelho, o presidente Michel Temer anunciou a liberação de mais R$ 2,6 bilhões para ajudar os estados a enfrentar a situação do sistema prisional brasileiro.

Como já tinha repassado outros R$ 1,2 bilhões no final de dezembro, os estados estarão recebendo R$ 3,8 bilhões para construção de presídios e aquisição de equipamentos de segurança para diminuir a influência das organizações criminosas nas cadeias.

Acontece que o maior problema não tem sido dinheiro, e sim o processo de gestão do sistema prisional, onde a responsabilidade legal é dos estados. Como se viu na Copa do Mundo, a União possui uma área de inteligência e equipamentos para combater o crime organizado, mas esse trabalho depende de entendimento com cada uma das unidades da Federação.

Em geral, a ajuda é oferecida apenas em situações emergenciais, quando o pior já aconteceu.

O problema de vagas e integridade dos presos no Brasil é muito grave, vem de muitos anos e compromete a imagem de um país que se vende como politicamente correto. O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo chegou a dizer em 2012 que, se tivesse que passar muitos anos na prisão, preferia morrer: “Entre passar anos num presídio brasileiro e perder a vida, eu talvez preferisse perder a vida”.

É um problema humanitário, que precisa ser enfrentado para evitar um desastre maior na imagem do país junto aos organismos de direitos humanos da OEA e da ONU.

Deixe seu comentário
COMPARTILHAR
Artigo anteriorO preso que mais amedronta o Planalto
Próximo artigoDecisão de Carmen Lucia que libera recursos para o Rio será contestada pela AGU
Ivanir José Bortot
Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com pós graduação em jornalismo econômico pela Faculdade de Economia e Administração(FAE) de Curitiba/PR. Repórter especializado em finanças públicas e macroeconomia, com passagens pela Gazeta Mercantil, Folha de São Paulo e Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Participou da cobertura de formulação e implementação de todos os planos econômicos do país deste o Plano Cruzado, em 1985, ao plano Real, de 1994. Sempre atuou na cobertura diárias das decisões de política econômica dos Ministério do Planejamento, Fazenda e Banco Central. Experiência em grandes coberturas de finanças como das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional(FMI), do Banco Mundial(BIRD) e Banco Interamericano de Desenvolvimento(BID).