Recados de uma derrota: Meirelles no alvo

Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles

De onde menos se espera é que não sai nada mesmo. A derrota da equipe econômica na votação do projeto de renegociação dos estados hoje na Câmara, retirando do texto as contrapartidas de aperto das finanças estaduais, não chega a ser uma surpresa. Não é a primeira vez que os deputados rejeitam proibição de reajustes do funcionalismo, planos de demissão voluntária e outros arrochos para os estados. Mas essa última votação do ano mandou recados e deixou alguns mortos e feridos. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, está entre eles.

Meirelles não conseguiu convencer os deputados a fazer o que era para lá de razoável numa situação em que o governo federal ajuda os estados a resolver seus problemas de solvência financeira: exigir dos governadores medidas de ajuste fiscal em troca do parcelamento e do adiamento dos pagamentos de suas dívidas. Traduzindo, virá mais rombo nas contas dos estados – ainda que adiado – é isso é ruim para o ajuste da União também.

Como Michel Temer não deverá assumir a derrota, ela vai para a conta de Meirelles, num claro recado de que sua lua-de-mel com os deputados chegou ao fim. Os tucanos, seus principais críticos, votaram contra. Sinal de que 2017 não vai ser um ano nada fácil para o ministro da Fazenda, que já anda sob intenso tiroteio dos políticos e dos que cobram mais medidas de estímulo ao crescimento.

Nesta terça-feira, Meirelles teve como único defensor o líder do Governo, André Moura – que, por sua vez, saiu queimado após levar uma carraspana do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por tentar adiar a votação.

O comportamento de Maia foi um caso à parte. Ao ver que a ampla maioria do plenário iria derrubar as contrapartidas,  o presidente da Casa – candidato à reeleição – juntou-se a eles e disse que os deputados não estavam ali para dizer “amém” ao governo. Jogou para a própria platéia, duplamente: os eleitores da Câmara e os eleitores do Rio, seu estado, que precisa desesperadamente da renegociação da dívida.

Um outro dado preocupante que fica da derrota, para o Planalto, foi a aliança forjada em plenário entre o Centrão do relator Esperidiao Amin (PP-SC) e o PT. Eles se entenderam direitinho.

 

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