Nem a paúra com a Lava Jato reduz a briga por nacos de poder

Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviço, Marcos Pereira.

O que mais impressiona na política brasileira é a constatação de que nem em seus momentos mais dramáticos seus atores se desligam da feroz disputa por nacos de poder.

Quase todos estão apavorados com a Lava Jato. Nem assim mudam hábitos e ganâncias.

A luta pelo butim em Brasília continua na mesma intensidade, como se a Lava Jato estivesse ocorrendo em outra galáxia.

Com Eliseu Padilha no corner, Michel Temer assumiu o comando do balcão.

Administra, por exemplo, a tentativa do PMDB do Senado, Renan Calheiros à frente, de tomar a Secretaria dos Portos do Ministério dos Transportes, administrado pelo PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto. Disputa acirrada.

Na terça-feira (7), entre a reunião do chamado Conselhão, com poderosos empresários, e as concorridas posses de Aloysio Nunes e Osmar Serraglio, Temer bateu o martelo em uma barganha perigosa.

Comunicou que a Secretaria da Pesca, hoje sob o guarda-chuva da Agricultura, comandada por Blairo Maggi, do PP, será transferida para o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Ali é feudo do PRB, braço político da Igreja Universal, e o ministro é o bispo Marcos Pereira.

Não há justificativa técnica para a mudança. Vale recordar porque a Pesca foi parar na Agricultura.

Quando ainda era ministério, a Pesca, nas gestões Luiz Sérgio (PT), Marcelo Crivella (PRB) e Helder Barbalho (PMDB) virou símbolo da falta absoluta de qualquer controle.

As apurações do Ministério Público e da Polícia Federal alarmaram o Planalto — onde a inquilina ainda era Dilma Rousseff –, e o órgão passou à gestão da ministra Kátia Abreu, que deu um freio de arrumação enquanto os investigadores passavam um pente fino na farra de benefícios.

Para se ter uma noção do que rolava por lá, havia comunidades com mais beneficiados do seguro defeso do que habitantes.

A Pesca começou a sair do leito na administração do petista Luiz Sérgio. Adotou o mote de multiplicar os peixes, os benefícios e os votos com Crivella. E respingou, inclusive com a prisão de alguns de seus principais auxiliares, em Helder Barbalho, atual ministro da Integração Nacional.

Mas os líderes do PRB, além de pescadores de almas, consideram a Pesca excelente anzol para fisgar votos.

Desde o início do governo Temer, PP e PRB brigam pelo órgão. O PP conseguiu mantê-lo na Agricultura. Mas o PRB emplacou um apadrinhado na Pesca, mesmo sob o comando de Blairo Maggi. Não se satisfizeram.

Nesses difíceis tempos políticos, aumentaram a pressão. Obtiveram sucesso. Temer cedeu para fortalecer sua base parlamentar.

O risco de Temer é de também fisgar confusão em futuras pescarias da Polícia Federal.

A conferir.