Reviravolta no RS: Paulo Paim confirma sondagem do PT para ser governador

Senador Paulo Paim
O senador Paulo Paim

O senador gaúcho Paulo Paim confirmou a Os Divergentes que o Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul conversou com ele sobre a possibilidade de aceitar sua candidatura ao governo do Estado nas eleições do ano que vem.

O nome do senador aparece muito bem nas pesquisas e seria uma alternativa para a situação difícil do PT no Estado.

Além dele há outros três nomes em consideração: do ex-governador Tarso Genro, derrotado em 2014 e com um grave problema de saúde na família. Tarso uniria o partido; também Miguel Rossetto, ex-vice-governador, mas candidato várias vezes derrotado, ligado a uma tendência, a Democracia Socialista. E ainda a ex-presidente Dilma, que saiu do impeachment com seus direitos políticos incólumes, num arranjo levado a efeito justamente para relançá-la nas eleições de 2018.

Paulo Paim parlamentar examina cautelosamente essa possibilidade: “por enquanto meu projeto é a reeleição para o Senado”. O quadro pode favorecê-lo. Dentro do PT ele nega a condição de dissidente. “Sou um rebelde”, enfatiza, ratificando sua condição de quadro histórico do partido que fundou.

O parlamentar está à frente de um movimento denominado Frente Ampla Brasil, politicamente multipartidário e intersindical, incluindo movimentos sociais, aposentados idosos e deficientes, além das militâncias de causas, como religiões, negros, índios, mulheres e homossexuais.

Sua candidatura ao governo gaúcho deveria, no seu entender, emergir no bojo dessa Frente Ampla, podendo não ser capitaneada pelo PT. Esse é um ponto importante para Paulo Paim assumir o projeto. Ele deixa bem claro que não se propõe a sustentar a hegemonia petista. O senador diz que o nome deve vir depois de “concertada” a Frente.

Falando sobre uma composição multipartidária, Paim sublinha suas relações pessoais e políticas com lideranças dos demais partidos da esquerda gaúcha. Fala e cita amigos no PSB (Beto Albuquerque nominalmente), no PV, Rede, PTB e até no irrequieto PSOL.

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A candidatura de Paim ao governo do Rio Grande do Sul é um fato novo e relevante na política da esquerda gaúcha. O PT está manobrando para a acomodação da ex-presidente Dilma Rousseff nas chapas majoritárias. Não obstante seu desgaste decorrente do impeachment e de acusações na Justiça, Dilma é um nome forte. Entretanto, ela disputa espaço com o senador em qualquer chapa, tanto no executivo como para o Senado.

O senador não se abala com essa ameaça, lembrando que a ex-presidente estaria cogitada pela candidaturas no Piauí, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além do Rio grande do Sul. Ele não bate de frente com Dilma: “o partido já me garantiu uma vaga para disputar a reeleição. A ex-presidente pode disputar a segunda vaga”.

Tirar Paim da candidatura ao Senado é um grande risco político para o PT. O senador, nas pesquisas, aparece liderando com grande folga sobre os demais nomes da esquerda. Com essa vantagem, Paim é dado como “eleito”. Por outro lado, na segunda vaga do Estado aparece igualmente com números estrondosos a senadora Ana Amélia, do PP. Ou seja, o PT como um todo, nacional e estadual, não pode correr o risco de perder uma cadeira no Senado Federal. E se Dilma perder?

Fotos: Orlando Brito.


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